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Mostrando postagens de 2024

Eu quero ser fraca...

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"Rasgar-se e remendar-se..." Cansei de ser forte, eu quero ser fraca... Quero ser domada e baixar minha guarda...  Quero ser transbordada,  entregue por completo e sem medo. Ter as pernas bambas e a paz que silencia  todas as loucuras da minha alma. Ser calada por beijos que me respiram,  por mãos que me guardam,  por olhos que me devoram. Calar a fera, desabrochar... Quero ser exorcizada,  roubada de tudo  e entregue a mim mesma. Dormir sem dor, acordar, ser amor! Ser e existir, de fato,  sem receios e por inteiro. Ser amada com loucura  até desfalecer e me apaixonar,  várias e várias vezes em qualquer estação. Morrer exausta em braços quentes  e encaixar meu queixo suado  entre lábios ofegantes de desejo. Sorte a minha ser assim tão sozinha...  Ter a vida nas memórias,  e sobre todos os anseios reviver,  dia e noite, o tempo inteiro. Estrelares, bilhões de anos, em diversas dimensões,  o louco sempre estev...

Sintético

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Humanos e sua mania de sintetizar sentimentos Uma variação enorme de sentimentos  Percorrem o olhar, o coração acelerado  As pupilas dilatadas, a mente em colapso Cada milésimo de segundo Carrega uma porção de sentir Transmutando entre densidades variadas Transitando por entre as dores do passado Com a culpa, com os aprendizados É um desaguar sem fim Me tornei tão boa que mal percebi a paixão do meu ego E então quando me virei, dancei por frações de segundos  Eu tive que fugir, correr e respirar fundo  Encarar o passado, ressentir, reencontrar  Assumir o que sinto e confrontar o presente  Entender tudo, constatar: "Há muita violência aqui... O passado é o meu lar" Quando o louco grita, estrapola em ações  Prendendo-me entre seus dentes serrados Com a força dos monstros indomados do seu circo Eu corro pra lá, com o coração acelerado  O passado me abraça e pergunta: "Por que insiste em procurar a excepcionalidade  em meros acasos adoentados? " ...

Sabiá

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Afinal, o que são nossos corpos senão pedaços egoístas de desejos infinitos?  Tento engolir essa mentira real que todos vivem!  E me vejo em meu labirinto Particular, verde e florido Com as nuances do meu nu Misturando com seus dedos que deslizam por meu corpo É uma saudade diferente das outras... Pena que estou caindo novamente  Dessa vez me confrontando  Sou mesmo amada em instantes?  Eu sonho poder encontrar   Um pedaço de minh'alma em um olhar Nos sentimos perdidos até construir nosso lar  Morar, amar e silenciar a loucura da vida  As cobranças de velhas despedidas O lar se estende naqueles momentos  Em que nos sentimos donos  De um roteiro único e particular com um outro Minha pessoa favorita, minha alegria, meu propósito de vida Mas estou caindo novamente em plena luz do dia Com minhas pequenas asas desajeitadas  E meu coração arrasado Com os silêncios, com as distâncias, as implicâncias Com o acaso e o porém, com a friez...

Dançamos

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Nós dançamos  E batemos nossos dentes de medo  Nossas almas se reconhecem Elas dançam  Entrelaçam e suspiram Entre beijos, entre olhares E toda sinceridade  Pouco falar, muito no olhar Sobre toda dor Construir nosso lar Morar e aquietar Amar, amar e amar Até ser um só e transbordar Numa noite clara Com o som de nossas risadas Das músicas, das taras Nos devorando por toda a casa Até silenciar a história que causou mágoas  Almas gêmeas, almas raras Cansadas, presas ao descaso Daquelas almas estagnadas O mesmo molde que te fez Me criou dentro de ti Porque nos pertencemos  E todos já perceberam  Inclusive nossos receios  Expostos, sedentos e loucos Dançamos sem parar Eu e você somos inteiros E juntos somos perfeitos Na terra, no fogo Na água ou no ar Como oitenta e oito constelações  Em uma sinfonia única  Assim somos nós... Quando o coração fala Eu prefiro escutar Ele sempre tem razão  O medo sempre se curva ao amor Que ferve e enlouqu...

Solar

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Após todo esse esplendor de renovo E me ver em chamas girando lentamente em torno de mim mesma Realmente acha que sou lunar?  Fora a solidão, fora a desilusão  E toda essa clareza com que me são mostradas as coisas A beleza, a morte e a cisma Acha mesmo que sou lunar?  Sou lunar em acarinhar No constante me ilumino por completo Tenho tantas ausências  Mas o que me pena é assistir queimar por dentro  A vida acontece rápido dentro de mim E os micros mais frágeis morrem Os fortes os devoram e os selvagens sobrevivem Tudo bem aqui, dentro desse corpo desejado  Que  tão bem faz pra quem o recebe com afagos Mas ele próprio morre aos poucos queimado pela vaidade Solei a vida inteira, nunca fui par Pois as paixões que me assombram Logo desejaram sombra Hoje quando me ponho no mar Toda água ferve e a fumaça cega, Remendo meus traumas, horrorizada  Enquanto as feridas se formam e descamam Estouram feias na pele molhada e estraçalhada Como um espeto no churr...

Extremamente intensa, extremamente recíproca

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Extasiada, eu sinto a dor espalhar pelos meus ossos. Essa é a dor da rejeição... Uma injeção de inflável que se enche aos poucos, bloqueia veias, espreme músculos e comprime os ossos, até estourar e espalhar um veneno ácido e inconformado por todo o corpo. Após aquele dia, eu enchi a cara por cinco horas seguida, ri da minha cara no espelho, vesti uma roupa esquisita, passei um batom vermelho, me filmei no banheiro, chorei de desespero. E só pude enxergar a vida como ela é, tudo se vai e tudo se vem. Nem sempre é pra sempre, o pra sempre é o talvez.  Que belo par!  De asas que perfuram minha pele pra voar. Voar dói e pousar também... Pior é a queda quando lhe arrancam as asas.  No dia seguinte, não derramei nenhuma lágrima e no outro já sorri, curti o silêncio da minha alma entristecida.  É tudo lindo por aqui, tão vivo! Não sei mais ser como antes. Eu deitei a tarde e curti a sanidade que adquiri após viver a mesma história tantas vezes. Curti as memórias vívidas do...

Invernar e florescer

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O inverno se vai e tudo se renova Estou exausta de quebrar como as folhas  E secar como as flores Eu quero florescer... Pois já me reguei o suficiente  Sou um pássaro voando solitário na chuva  Com asas pesadas, exaustas... Apenas voam no cinza e tons pastéis da minha tela  É lindo mas não suficiente para me expressar Quem poderia compreender?  Uma lida entristecida Sem frutos, sem amor, sem vida Cansada de partidas, de não ter um lar... De estar sempre fugindo das loucuras que gritam Dessa vez, as flores estão escondidas Para que ninguém as tente roubar ou destruir Me sinto entediada por casualidades fatais  Que a falta de intimidade traz! Mas estou extasiada... Cada pedaço meu é amado por pétalas de saudade Exalo paixão e selvageria Mas quando durmo, sou amor e calmaria Sou águas termais quando em mim mergulham com gentileza Admiro os pacíficos e a estes sou leal Não me agradam os metódicos e racionais Pois tropeçam em seus instintos mais bonitos, 'Ser um...

Eletrizar

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A melhor parte de acender é eletrizar e entrar em curto.  Na maioria das vezes, logo após a carga, com o descaso tudo se desfaz, até que a estranheza se instale.  A melhor parte é cortar os fluxos noutras cargas, isoladas por fitas. Tudo interrompido. Como é perigoso mexer com a eletricidade, os choques podem ser fatais. Meu coração já parou e voltou tantas vezes. Fui queimada viva mexendo na energia.  E quantas vezes a perdi em mim e nada mais me acendia... Precisei de raios, trovões e relâmpagos. Explosões de ressurreição.  Lembro-me de uma vez, no parque, correr na chuva e me abrigar embaixo de uma árvore. Me chamavam de louca! Eu só queria acender novamente... É difícil viver acesa, é difícil apagar também... Ser esquecida, esperando o mundo acordar pra tudo acender.  Me resta a estrada e todos os postes acesos iluminando o caminho sem destino.  Me restam os anseios e sonhos alheios.  Deus! Como é difícil iluminar o suficiente pra não estourar minh...

Fierce pet

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Known for destroying hearts, I gave my bitterness to chance. I allowed my dreams to be shattered countless times. I looked for love, but found none but my own, so I embraced my female and she cast me into the shadows. I was served and loved by servants and masters and felt visceral love in the form of very detailed warnings. My emotions turned black and the sweetness was gone. I became a woman and nothing human arouses passion in me. I used the sex of good and cruel men and cleansed myself of them all. I energize myself solely and exclusively from my own essence. Usually those who experience it, days later become conflicted by its wickedness or ecstatic by its honesty. I savor passions like rare and succulent meats but I don't care about natures. I will know things and you will never know how I know. Don't want to have me as an enemy, do yourself a favor and propose self-pity. Yes, they were just performances because I love ominous games. But with those who show themselves to m...

Pude morrer em um abraço

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Começou com um convite, um sorriso, logo depois um suspiro e então um toque sutil. A arte de fazer sentir-se a vontade como estar no lar...  Quando a timidez se encontra, a vergonha sai de cena... Dançar sem saber dançar, acarinhar pelo olhar e dar um show de ousadia! Quem diria!  Eu me esqueço que logo serei saudade, esqueço as preocupações e a vontade de amar invade... Como ensinar uma ferida a se curar?  É só ouvir sua voz dizendo: "vem comigo".  Não insinua, não promete, não bajula, apenas me envolve e me lê como partitura. Pude morrer em um abraço. Morri para o descaso, para os jogos de descarte, morri para o que me afligia, para as ausências e as feridas, morri para os desprezos e a dureza do meu coração. Retomei o fôlego, a segurança e fiz uma canção. É como se te conhecesse bem! Mas na verdade, quem me conhece é você.  Posso sentir perdurar porque o tempo não passa rápido e o amanhã existe tanto quanto o hoje e ainda mais bonito, cheio de sol, cheio de a...

É melhor que me cuspir

O último realmente se foi. Quanto tempo faz? Ele apagou a luz e fechou a porta? Eu vivo caminhando e dizendo: "Mãe, me compra um amigo?", me lembro de já ter visto esse título em algum livreto de histórias infantis.  Nossas emoções têm porquês curiosos e tudo se repete pra que a gente descubra. As razões das emoções são improváveis mas hoje descobri que somos mais movidos pela dor do que pelo amor. De fato, o amor nos paralisa, quase não há espaço pra ele existir dentro de nossas vidas.  Uma hora a dor do outro nos encontra e nossas dores, misturadas,  viram tempestades, ventanias, violências emocionais, toxidade e tudo vai se repetindo. Que descaso, que tremenda falta do que ser. Parecemos rinocerontes afugentados, correndo em manadas, destruindo tudo o que vem pela frente. Ai de quem pára no meio da correria! Tenta rezar "Ave Maria", busca entender de onde veio tanto caos. Ai de quem muito pede calma! Pra organizar a alma ou tomar um sol no quintal. No fim da mara...