Solar
Após todo esse esplendor de renovo E me ver em chamas girando lentamente em torno de mim mesma Realmente acha que sou lunar? Fora a solidão, fora a desilusão E toda essa clareza com que me são mostradas as coisas A beleza, a morte e a cisma Acha mesmo que sou lunar? Sou lunar em acarinhar No constante me ilumino por completo Tenho tantas ausências Mas o que me pena é assistir queimar por dentro A vida acontece rápido dentro de mim E os micros mais frágeis morrem Os fortes os devoram e os selvagens sobrevivem Tudo bem aqui, dentro desse corpo desejado Que tão bem faz pra quem o recebe com afagos Mas ele próprio morre aos poucos queimado pela vaidade Solei a vida inteira, nunca fui par Pois as paixões que me assombram Logo desejaram sombra Hoje quando me ponho no mar Toda água ferve e a fumaça cega, Remendo meus traumas, horrorizada Enquanto as feridas se formam e descamam Estouram feias na pele molhada e estraçalhada Como um espeto no churr...