Sabiá

Afinal, o que são nossos corpos senão pedaços egoístas de desejos infinitos? 
Tento engolir essa mentira real que todos vivem! 
E me vejo em meu labirinto
Particular, verde e florido
Com as nuances do meu nu
Misturando com seus dedos que deslizam por meu corpo
É uma saudade diferente das outras...
Pena que estou caindo novamente 
Dessa vez me confrontando 
Sou mesmo amada em instantes? 
Eu sonho poder encontrar  
Um pedaço de minh'alma em um olhar

Nos sentimos perdidos até construir nosso lar 
Morar, amar e silenciar a loucura da vida 
As cobranças de velhas despedidas
O lar se estende naqueles momentos 
Em que nos sentimos donos 
De um roteiro único e particular com um outro
Minha pessoa favorita, minha alegria, meu propósito de vida
Mas estou caindo novamente em plena luz do dia
Com minhas pequenas asas desajeitadas 
E meu coração arrasado
Com os silêncios, com as distâncias, as implicâncias
Com o acaso e o porém, com a frieza e o além
Com a impotência e o cansaço 

Eu não sou amável, eu sou maga
Eu reviro do avesso e despejo amor em órgãos cansados
Faço poções de saudade e enveneno corações 
Faço ressuscitar e permanecer 
Falo verdades cruéis e me escondo da ambiguidade 
Restaurando humanidades até adoecer
E dessa vez foi tão rápido...
Meu cérebro foi pisoteado pelo adeus dos que não falaram
Por mera curiosidade, roubaram beijos e fugiram pela vaidade...

"Que saudade, sabiá!
Eu apanhei pra defender quem você diz amar
Mãos que curaram, mãos que ferem
Tentei de tudo, me vi sem rumo
Acordei a selvageria que poucos amaram..
Aquela indomável que só você domou."

Um ser tão pequeno e inofensivo
Impôs manhãs amenas à minha alma
E fez minha loucura se apaixonar 
E eu amei mas fui brevemente amada. 
Quero contar uma história pra você
Encontrar em sonho pra dizer...
Tem gente que nasceu ímpar 
Tem gente que nasceu par
Eu nasci pedaço de quem me carrega

Não peço mais socorro pois aprendi renascer.
Não peço atenção pois aprendi morrer
Minha respiração é uma mansidão constante e triste
Carregada de uma paz incomum
É ruim atravessar sempre sozinha
Mas libertador não esperar que me acompanhem

A traição consome e apodrece a mente
O corpo exausto perde toda força 
É uma praga que adoece a alma
Mancha a beleza do amor 
De todas as formas possíveis fui traída
E de todas as formas possíveis perdoei
Mas isso não me curou...
Hoje caminho lentamente
Sem saúde , sem saudade, sem desejo
O que posso fazer? 


P.s.: Ainda ta?

B'gio - 


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Apocalipse

A verdade que eles negam

Majestade