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Olá morte,

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Continua cheia de vida, como uma criança na ciranda e no parque de diversões. Sedenta por devolver vida às peles frias, sugadas pelos servos do acaso que perambulam em busca de adrenalina e vitalidade e que arrancam uns dos outros por aqui. Dizem viver em abundância e dizem estar sofrendo tanto quanto, não percebem o quanto sugam dos que já nem tem mais. Morte, você é uma criança envelhecida, suas cores e seu brilho são tamanhos que empresta a todo aquele que é escolhido pra brincar com você.  Quando for minha vez estarei aqui, já estou pronta pra você. Eu já não tenho mais vida. Olhe só e não seja injusta.

A única verdade

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O amor não é real Mera invenção da vaidade É um filtro imaginário Pra vida ser menos insuportável E aqueles que descobrem essa verdade  Enlouquecem Porque questionam suas próprias perversidades  Quando exigiram tudo em nome de algo que nem existe B'gio

Fragmentada

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Sou amada em fragmentos  Em momentos em personas Todo um corpo criado pra ser amado Toda essa corrida, eu não preciso dela Eu sou amada em visitas, em instantes  Eu fico e o mundo gira e se enrola Eu me estico e respiro Planos que vem, planos que vão Eu fico aqui, eu amo aqui Porque aqui o amor visita Se deita, repousa, sonha  Depois se vai pra que outro venha Consegui manter o que foi perfeito Esse é o meu troféu e meu respirar A lembrança em fragmentos Eternos e cobertos de amar Prevalecem por todo viver Pra que viva uma só vez Em cada gesto de olhar B'gio

Embriagar

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Estender as mãos Estender os tendões Exprimir a injúria  Honrar presentes que a vida dá  E, por fim, ser Sê tu o templo Sê tu a ferida Sê tu o despojo Sê tu o contento E, por fim, rir Ri de mim com boca pálida Ri de ti com boca azul Azul do mar que te lava Passa dia em uma tábua Como há de girar o conto E, por fim, ir Ir de mim Ir-te de ti Irmos com quem nos estende Entendidos de tédio Irmos de cólera e absinto Irmos de mordaças Irmos de vozes cansadas E, por fim a sós Presos à cadeira Presos à pauladas Presos à angústia Presos à nada Presos a nós mesmos Presos à verdades A Lei da caridade E, por fim, li Ideais colidiram-se Somos todos um Em nome do Rei Rei que nos criou Dize a teu próximo: 'Amo a ti sobre todas as coisas' Dize ao Rei: 'Protegerei a tua criação' Dize a ti mesmo: 'Sou riso ao encontro de mim' E, por fim: fim. Beatriz Giomarelli     (Art: Marlina Vera)