Solar
Após todo esse esplendor de renovo
E me ver em chamas girando lentamente em torno de mim mesma
Realmente acha que sou lunar?
Fora a solidão, fora a desilusão
E toda essa clareza com que me são mostradas as coisas
A beleza, a morte e a cisma
Acha mesmo que sou lunar?
Sou lunar em acarinhar
No constante me ilumino por completo
Tenho tantas ausências
Mas o que me pena é assistir queimar por dentro
A vida acontece rápido dentro de mim
E os micros mais frágeis morrem
Os fortes os devoram e os selvagens sobrevivem
Tudo bem aqui, dentro desse corpo desejado
Que tão bem faz pra quem o recebe com afagos
Mas ele próprio morre aos poucos queimado pela vaidade
Solei a vida inteira, nunca fui par
Pois as paixões que me assombram
Logo desejaram sombra
Hoje quando me ponho no mar
Toda água ferve e a fumaça cega,
Remendo meus traumas, horrorizada
Enquanto as feridas se formam e descamam
Estouram feias na pele molhada e estraçalhada
Como um espeto no churrasco pronta pra ser degustada mas totalmente indigesta
As línguas desejosas correm na pele que se restaura
Pra mim é fato que o amor cura, mesmo o amor tarado
Todo mês de outubro a morte me visita e pergunta "E aí, amiga! Vamos passear comigo?"
E todas as vezes eu respondo (ou tento): "Gostaria, mas passo... Quero me provar um pouco mais nessa vida absurda".
E lá vou eu, agonizando por mais um ano entre céus e infernos, luzes e sombras.
Como o êxtase de permanecer lúcida em meio ao caos da insônia noturna.
E brincar com a loucura de divergir de semelhantes
Me faz criar a incompreensão como filha ou relíquia
Solar sempre, cada vez que a música do dia explana toda a criação.
Eu me queimo e solo, só.. Repleta de amor e dor.
B'gio (24/10/2024)
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