Eletrizar
A melhor parte de acender é eletrizar e entrar em curto.
Na maioria das vezes, logo após a carga, com o descaso tudo se desfaz, até que a estranheza se instale.
A melhor parte é cortar os fluxos noutras cargas, isoladas por fitas. Tudo interrompido.
Como é perigoso mexer com a eletricidade, os choques podem ser fatais. Meu coração já parou e voltou tantas vezes. Fui queimada viva mexendo na energia.
E quantas vezes a perdi em mim e nada mais me acendia... Precisei de raios, trovões e relâmpagos. Explosões de ressurreição.
Lembro-me de uma vez, no parque, correr na chuva e me abrigar embaixo de uma árvore. Me chamavam de louca!
Eu só queria acender novamente...
É difícil viver acesa, é difícil apagar também... Ser esquecida, esperando o mundo acordar pra tudo acender.
Me resta a estrada e todos os postes acesos iluminando o caminho sem destino.
Me restam os anseios e sonhos alheios.
Deus! Como é difícil iluminar o suficiente pra não estourar minha lâmpada.
Como é difícil lidar com o medo alheio de mexer com energia.
Não é melhor quando tudo é visível?
Posso enxergar no escuro mas demora...
Não demora pra acender comigo, pra eletrizar. Eu tenho fios com pontas soltas por todo o meu ser e não tenho medo de queimar.
Eu amo incendiar e renascer. E você?
Conexões confusas, testes de luz.
Eu penso, escrevo e bebo (água, porque estou adoecida). Mas queria beber você até amanhecer. Embriagar, me incendiar e acender, acender e ascender com você.
B'gio
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