Espelho
As noites tem sido dia... Mais uma vez caminha diante do espelho Anseia sumir nos ossos de sua pele As idéias na mente fogem constantemente E no novo mundo se formam diferentes E se tornam a nova vanguarda Poderia passar as mãos pelo corpo E fechando os olhos imaginar as mãos do homem Cumprindo a função de arrepiar Mas a menina do espelho é tão sem graça Seus olhos são comerciais E seu corpo é uma escultura inacabada As curvas são quase perfeitas Manuseadas pelo sofrimento A menina é cheia de desejos E ainda imita sua mãe no espelho Imita seu pai com seu parceiro Imita sua filha no devaneio Ela se perde e se encontra no espelho Quando, por fim, encontra os olhos meigos Chora por dentro e só o espelho revela Todas as lágrimas que caem dos olhos dela Então ela vê o amado pelo reflexo Com os braços em volta dela Sente-se conduzida até a cama E aquecida, cochila tranquila Apenas... Cochila. Beatriz Giomarelli