Mágoa
Minha mágoa é um poço É um poço sem fim Um poço amordaçado Com ferida incurável Com lembrança cruel Meus dias tem sido noite Noite apenas pra mim Que olho para o sol, E o vejo embaçado Diante da lágrima que tenta me erguer Não sinto mais vergonha em dizer "Magoada estou" Minha mágoa é um poço É um poço sem fim Um poço amordaçado Com ferida incurável Com lembrança cruel Meu peito, sem coração Meu pensamento é um fel Meu sonhar é um ruído Meu destino é o grito Minha espada enterrada Na Terra da Esperança Meus olhos não mais vêem Meu sorrir, não deslumbra Meu corpo já em tumba Minha mágoa é um poço É um poço sem fim Um poço amordaçado Com ferida incurável Com lembrança cruel O que acolhe te encolhe Passei a acreditar Que no mundo das fardas Tem borboletas a voar Não demonstram seus brilhos Porque ninguem os merece Antes que caia a noite Se escondem de leste a oeste E então o zumbido não é riso É o chorar das borboletas que sofreram assim ...