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Mostrando postagens de março, 2025

Ouroboro

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Tenho renascido tantas vezes Que a minha voz já é um choro Eu engravido de mim mesma Parto-me ao meio para sair de mim  Tenho engravidado a vida inteira De versões intermináveis de mim mesma De sonhos que pretendi viver Hoje não me interessam mais  Estou oca em meu ego flácido  Me encaixo na melancolia dessa ressaca E caminho para a vida pensando em morrer todo dia  Me entregue seu coração Eu o como cru no jantar de família Tenho fome de emoções que não as minhas Tenho sede de alma que murmura por vida  Tenho fogo dentro e fora e luz de sobra Não pertenço a ninguém além de mim mesma E não me entrego a nada que não contemple meu interior  E nos demais dias, eu me parto, em sofrimento profundo Porque nasço cada vez maior E entro e passo por lugares cada vez menores Nem o oculto se esconde mais de meus sentidos  Pois toda minha percepção lê detalhes e intenções Inclusive as nuances e as negociações. B'gio 

Densidade

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Todos os dias a escuridão me engole, a dor me tritura em seus dentes afiados. É uma sensação horrível. A dor me mastiga, me tritura, me engole e vomita Moll Black. Não sou de postar tão abertamente, quem me acompanha por aqui sabe que amo o abstrato de meus sentimentos. É realmente a forma como penso o mundo: fragmentado, poético, caótico, cheio de amores, prazeres...  Toda vez que me conduzi a uma vida normal, recebi caos. E quando me torno caos a vida me propõe a normalidade. A dualidade! Sempre me aterrorizando e me trazendo essa paixão pela escuridão. Mas todos os dias deixo a dor me consumir. A dor da inutilidade, da mesmice, do viver em ponto cego todos os dias. E mesmo com tanta luz do sol, da vida, do som e do movimento a gente só consegue realmente enxergar com os olhos da alma e abri-los é um processo extremamente incômodo, porém necessário pra amar o todo.  "Amar o mal, odiar o bem". O acolhimento mediado por bom senso cura a existência. Abre os pulmões...

Narciso

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Ele te arrasta por uma passarela de amor, depois maltrata seu coração, violenta e suga teus sonhos. A forma doce de enxergar a vida e acreditar no amor são diluídas em suas insinuações e desconfianças. Ele diz: "Você inveja as pessoas por viverem isso. Isso não é real, são atores". Seu sorriso se perde na selva, você luta para ressuscitar o que ele assassinou. Ele oferece um começo encantador, doses diárias de ocitocina que se transformam em doses excessivas e diárias de adrenalina e cortisol. Você apenas luta para retornar a fase inicial, onde tudo era acolhimento e amor e se vê perdendo a alma tentando fazê-lo. Ele te observa tentando, enquanto diz vítimamente: "Isso é tudo o que eu posso fazer. Você é muito melhor que eu", e te custa acreditar que de fato você é. Após a ressurreição, um estalo te desperta, é hora de ser cruel. No fim da história, pra todos você é a má.  E se eu pudesse aconselhar, diria: "Seja! O tempo dirá".  B'gio

Lamúria

Amigo antigo, outrora um grande amor Se soubessem o que me fez Nunca mais te aplaudiriam Nem em canção, nem em voz,  Nem em silêncio, nem em melodia Mas quem soube te odeia e te marcou... Não é preciso amar para reconhecer injustiças Eu te desejo a tua própria vida Que sempre foi infernal como o seu interior  Que seus atos bondosos, poucos  Te sejam como oxigênio  Pra que continue vivendo   Vendo a sua miserável colheita Mas juro, desamor Que te desejo mais que tudo a redenção E que tua falta de jeito Vulgo grosseria, se quebre  Como todo cristal que você quebrou Enfurecido no meu precioso interior Que toda violência que me destinou E o sangue de meus braços  Que você loucamente derramou Te sejam como canção... Cada sorriso e perdão que ofereci Mesmo após diversas vezes Queimar-me inteira até a morte Te sejam como canto de fênix Renascendo das cinzas... Que você desapareça de mim Mas que eu nunca desapareça de você Não porque já te amei Mas porque...