Desaguar

A gente nunca quer partir
Sempre queremos ficar 
E ter algo em que trabalhar e construir 
Somos multiplicadoras e delicadas
Dedicadas a uma raiz invisível 
Que nutrimos sem hesitar
Pode um corpo controlar a mente? 
A mente quebrada adoece o corpo
Produz frutos podres ou nada
Que adianta o êxito na boa colheita 
Se o sabor dos frutos é amargo? 
Que adianta vangloriar-se dos filhos
Quando não conseguiu ama-los desde o ventre? 
Amar além de palavras.
Pois o amor tem a ver com voto
De proteger o emocional de quem nutre e quem é nutrido
Desde o ventre e perseverar
Quem não é altruísta, não ama
Quem é egoísta, não ama
Quem se importa com os próprios interesses, não ama
Quem ignora a dor no outro, não ama
Quem parte e não se entrega a nova vida, não ama
O amor não é para ser servido
Se ama para servir e preservar 
Por outro lado, é impossível fugir do amor 
Quando muito recebido e não distribuído 
O tormento inunda a alma 
E o amor sufoca com a solidão profunda
Por isso que nunca queremos partir
A maioria de nós entende o ciclo
De nutrir, receber e multiplicar
Suportar não faz parte do ciclo 
O medo vence ou é vencido
É necessário desaguar.

B'gio

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