Ouroboro

Tenho renascido tantas vezes
Que a minha voz já é um choro
Eu engravido de mim mesma
Parto-me ao meio para sair de mim 
Tenho engravidado a vida inteira
De versões intermináveis de mim mesma
De sonhos que pretendi viver
Hoje não me interessam mais 
Estou oca em meu ego flácido 
Me encaixo na melancolia dessa ressaca
E caminho para a vida pensando em morrer todo dia 
Me entregue seu coração
Eu o como cru no jantar de família
Tenho fome de emoções que não as minhas
Tenho sede de alma que murmura por vida 
Tenho fogo dentro e fora e luz de sobra
Não pertenço a ninguém além de mim mesma
E não me entrego a nada que não contemple meu interior 
E nos demais dias, eu me parto, em sofrimento profundo
Porque nasço cada vez maior
E entro e passo por lugares cada vez menores
Nem o oculto se esconde mais de meus sentidos 
Pois toda minha percepção lê detalhes e intenções
Inclusive as nuances e as negociações.

B'gio 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Apocalipse

A verdade que eles negam

Majestade