Lamúria

Amigo antigo, outrora um grande amor
Se soubessem o que me fez
Nunca mais te aplaudiriam
Nem em canção, nem em voz, 
Nem em silêncio, nem em melodia
Mas quem soube te odeia e te marcou...
Não é preciso amar para reconhecer injustiças
Eu te desejo a tua própria vida
Que sempre foi infernal como o seu interior 
Que seus atos bondosos, poucos 
Te sejam como oxigênio 
Pra que continue vivendo  
Vendo a sua miserável colheita
Mas juro, desamor
Que te desejo mais que tudo a redenção
E que tua falta de jeito
Vulgo grosseria, se quebre 
Como todo cristal que você quebrou
Enfurecido no meu precioso interior
Que toda violência que me destinou
E o sangue de meus braços 
Que você loucamente derramou
Te sejam como canção...
Cada sorriso e perdão que ofereci
Mesmo após diversas vezes
Queimar-me inteira até a morte
Te sejam como canto de fênix
Renascendo das cinzas...
Que você desapareça de mim
Mas que eu nunca desapareça de você
Não porque já te amei
Mas porque te fui justiça 
E seria pra sempre se não me amasse
O suficiente para partir
Na esperança latente e anseio 
Por reencontrar doçura em olhares 
De quem ainda sabe amar realmente 
O terror, o desafeto e o teatral
Destinaram-me à força emocional
Uma transformação genuína 
Contornada por morte e vida...
A solidão, a fera, a vingança, 
A tristeza, a própria morte e a doença 
Toda densidade hoje me acolhe 
Como luz enluarada em noite escura
Você me crucificou incontáveis vezes
Enquanto eu te olhava nos olhos...
Minhas lágrimas divinas me curaram
Até que um dia te exorcizei com minha fúria
E, em negrito, escrevi minha colheita
E como bônus, hoje sou amiga da lamúria.

B'gio



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