"do nada"

"Eu, soberana de mim"
Minha vez:

Nunca será necessário dizer mais de uma vez pra eu partir. Também não será possível me ver retornar sempre que me pedir perdão...
A roleta russa da compaixão uma hora dispara e tudo se acaba. A minha entrega é visceral e insistente, provida de uma essência materna que se estende até a quem não merece. 
Mas só descubro isso depois de ser pisada e lançada fora, várias e várias vezes.
O fim traz novos começos e novos começos são desafiadores.
Não basta ter transtornos psicológicos e a saúde mental totalmente afetada, ainda é preciso passar por toda tentativa para receber insultos e desprezos após um lindo período de entrega.
Digo tentativa de ofensa porque o que dizem é real, então não me ofende apenas me faz ter certeza do quão cruel o ser humano pode ser. 
Mas o surto e a loucura sempre precedem o descuido e a falta de empatia. Uma palvra mal colocada, uma ação mal intencionada, uma escolha ou uma falha no caráter. Uma honra totalmente frágil, danifica o plano perfeito de construção.
Nunca é "do nada". Mas o dano moral fica registrado no subconsciente que clama por justiça. 
A mente sobrecarregada só enxerga o ser humano horrível que utiliza a palavra "louca" de forma pejorativa. Sabendo inclusive do meu diagnóstico e tratamentos contra as doenças da mente e da alma.

A tentativa de insulto, falha quando reconheço:
Eu realmente sou transtornada. Eu tomo medicações psiquiátricas. Eu tomo precauções para me manter em tratamento e encontrar o meu equilíbrio, mesmo mediante a falta de noção de alguns e desinformação de outros. 

Eu pari a dois meses e quase partimos. Tudo por um triz.
Existe uma exaustão comum após ser aberta em em sete camadas e ainda voltar a sangrar todos os meses. Não dormir, não ter a menor habilidade com o novo mas me dedicar totalmente a um ser lindo que chegou recentemente.
Em nome da família, eu insisto, permaneço, perdoo, mas não há o menor reconhecimento pelo que eu faço com o mínimo que me é entregue. Muitas cobranças sem lógica. O macho se torna um bebê, "você não faz o meu papá, só dá papá pra bebê!" por alguns dias eu não fiz o papa do bebezão e ele chora. Tadinho. Eu não sou mulher pra ele.
A mulher torna a casa um lar quando recebe a estrutura emocional e material para isso. Portanto, meu único compromisso é com a minha cria. Apenas. Homens se viram, machos se doem. 

E eu não preciso me explicar porque não entrego meu cem por cento pra qualquer um que diz me amar e querer construir. Mas dessa vez, eu dei um pouco mais. Um passo largo pra tentar fazer acontecer. Estabeleci limites internos, com medo de novamente ser exposta em minha vulnerabilidade, mas quando a relação é com macho não tem acordo que faça ele cumprir com o básico e essencial da parte dele.
Os de bom coração até consideram depois, os perturbados por suas próprias vidas, olham e tiram suas conclusões a partir de suas próprias guerras e frustrações.
Na verdade o que sustenta a tirania é uma rede de mulheres com o feminino totalmente danificado, envenenadas por essa cultura machista e irracional.

Eu nunca fui vítima. Eu sou autora da minha história , da minha vida e das minhas relações. Sou adoecida porque travei batalhas que machos e homens jamais suportariam. Sou esquisita, odeio injustiça. Odeio o patriarcado, odeio o machismo, odeio o macho que acha que manda, que acha que banca porque paga uma conta aqui outra ali. Odeio o macho que torna o amor um escárnio, macho que ex nenhuma suporta. Macho que não tem sensibilidade com o feminino. Macho que floreia em seus olhos e ouvidos e na hora da tua vulnerabilidade te passa, te humilha, te gatilha e te rotula "a louca", "a puta". 
As que não querem e não quiseram o macho são todas putas, segundo ele. Todas estão erradas e todas saíram feras e feridas depois desse macho. Ele não cultiva nada bom no coração de ninguém que se dispõe a amá-lo porque certamente não sabe amar na fragilidade humana. 
Mal compreende o quanto ele mesmo é frágil. Sempre quebra, nunca avança, nunca permanece, nunca compreendeu além de seus próprios muros, não sai do lugar, não alça voos ousados porque no fundo sempre precisa voltar pra saia e para o seio patriarca que lhe passa a mão na cabeça e encoraja e nunca crescer. 
Põe tudo a perder, retorna ao mesmo caminho: solidão.
Macho que não perdoa, macho que pisa, não importam os detalhes, as crianças, os desgastes, as condições naturais, os diagnósticos médicos. Não medem palavras, querem sobrepor suas vontades, querem escravas, não amores, querem mulheres subservientes, cegas e totalmente apegadas que lhes entreguem o corpo, o mundo, os sonhos, a doçura, os filhos, a liberdade, os esforços, os fundos financeiros, os gemidos, os prazeres, o alimento, a limpeza, a paz, toda sua compreensão e perdão para suas cagadas, inclusive as cometidas mediante as vulnerabilidades, não importando as circunstâncias, em hipótese alguma que apresentem falhas, defeitos e fragilidade.
Todas são loucas, más, menos eles. E eu me pergunto: " Mas toooodas são loucas?".
A própria vida deles já os mostra e por isso não constroem nada.
Machos que são protegidos pelo falso moralismo, são sustentados por uma geração de feminino adoecido e patriarca. Ultrapassado e repressor de mulheres, que castram homens e os tornam eternos machos que não possuem amor porque não sabem amar, só sabem receber amor através de aprovação e perseguição a tudo o que foge desse sistema diabólico
Só sabem ver o que falta, abandonar, colocar em situações de risco e quando o surto vem, eles pulam do barco "Deus me livre, não sou obrigado a ficar com essa louca". Com toooooooooooodas essas loucas. Só loucas. Menos eles. Eles são sempre um máximo!

Quem não conhece macho que se lambuze nessa falsidade, um fracassado que teme o feminino por isso nunca consegue honrá-lo, muito menos amá-lo. Por isso ignoram todo o poder do nosso corpo, que sangra sem morrer, que  traz vida, que recicla, que encanta, que dá prazer, que amamenta, que é macio, que multiplica, que motiva e da propósito e família, mas também destrói tudo aquilo que não respeita seus ciclos, não acolhe suas sensibilidades. Essa mesma essência que entrega tudo, tira tudo o que entregou, quando adoecida por esse sistema machista.

Eles brincam com o tempo, com seus sentimentos, suas falhas, te desprezam na sua dor, na sua ausência são animais soltos sem o menos comprometimento com o que falam com o que sentem.
Dão um jeito de te fazer escolher partir depois de tanto surtar com todos os deslizes e descasos. Se acham perfeitos, não enxergam nada, cada ação deles não é amor é dívida emocional ou material que te fazem pagar, de um jeito ou de outro, com valores ou lágrimas.

Eles se vingam, se fecham, te colocam em situações de risco, te descuidam ao menor sinal de desgosto da sua parte, te pisam quando você não se humilha o suficiente pra tentar sustentar o castelo que constroem sobre suas costas, não guardam o orgulho. Se mostram tiranos, frios, arrogantes. E mesmo com seu psicológico detonado, eles te afundam mais um pouco. A menor reação, desperta toda sua frieza, destrato, todo o acolhimento outrora trocado, vira um lixo porque não sustentam o que sentem, não compreendem, te atropelam, te pintam de vermelho, de vergonha, de guerra, mesmo vendo claramente a mágoa, o desgaste e o descontrole emocional partido de um psicológico colapsado por todo período de dor e desconfortos vivenciados.
Te passam uma falsa segurança e uma falsa felicidade que dura somente enquanto você suporta tudo calada.
São desumildes, impiedosos, vingativos, cativos de uma vida que nunca avança porque não possuem o dom do perdão, mesmo sendo perdoados inúmeras e inúmeras vezes.

Mas infelizmente toda essa birra é sustentada por elas, as fêmeas feridas que comeram o pão que o diabo amassou e normalizaram. 

Se hoje tenho para onde ir é porque quem faz por mim um dia recebeu de mim. Não sou dependente, sou amada e por isso tantos me acolhem, defendem, protegem e até exageram.
Já os machos, eles querem ser cuidados, mas a arrogância os leva ao mais alto monte e ali eles ficam. Sempre sozinhos. Perdem tudo por orgulho, em nome de uma paz falsa, não conseguem ficar em seu próprio silêncio, não conhecem a solitude porque no silêncio sua mente os faz relembrar de todas as suas perdas e fracassos, apenas porque não querem aprender a lidar com as fraquezas humanas próprias e a dos outros.

A louca aqui, medicada voltará a trilhar o caminho de acolhimento, o sucesso me alcança sempre porque estou bem amparada no conhecimento de mim mesma. Estou amparada em amor pra sempre me reerguer, reconstruir meu império quantas vezes forem necessárias. 
Até me tornar novamente e novamente e quantas vezes forem necessárias, a pessoa que é o apoio e o porto seguro de quem amo. Porque é isso o que sou. Aprendi a me relacionar, perdoar, compreender e isso me trouxe aliados, admiradores da minha índole e apreciadores da minha alma. 
Quanto a essa minoria, nada do que pensam me ofende porque ninguém conhece a minha história. Esses que me julgam conhecem-me há dois anos no máximo. Os que me amam, me conhecem quase toda a minha vida, por participarem ou por interesse real em minha história e essência. Conhecer de verdade e não apenas sentar ao meu lado e esperar tudo de mim sem entregar o mínimo com amor.
Os que me amam realmente, sabem quem sou e conhecem minha essência por isso entendem cada passo meu e também todos os meus deslizes, eles me perdoaram e por mim foram perdoados, e assim receberam tudo de mim. Outros contemplaram minha vida e criaram conexão de admiração profunda que foi prontamente retribuída por mim. 
Nunca rotularam minhas fraquezas, mas de uma forma ou de outra, reconheceram toda a minha força, a qual sempre me recusei a perder. E a esses eu me inclinei e amo do fundo do meu coração, de alguns eu já fui apoio, de outros ainda serei porque são as relações lindas que construí.

Eu entrego a minha vida para a minha menina, eu entrego tudo o que sou. Jamais serei conivente com pensamentos absurdos a respeito do meu maternar. Não vou aceitar que minimizem o fardo e a delícia de servi-la, pois eu sou tudo pra ela e ela é tudo pra mim. 

E pra começo de conversa, antes de ser submissa no lar é necessário que o parceiro não seja um macho, mas sim um homem. Homem que trabalha, provê financeiramente e principalmente emocionalmente. E nesse período tenha no mínimo a decência de compreender as fragilidades.
Machos não tem essa capacidade, eles querem a diversão e um funcionamento incondicional da mulher, não importa a condição, a gestação, o puerpério, a menstruação, as dores desses períodos. Tudo se sobrecarrega quando existe um macho ao lado, mas tudo é aliviado diante de um homem. 
E ser homem é um exercício diário e constante, o macho até tenta mas se não sustenta, ele sempre perde tudo.

Mas é fato que eu nunca precisei de um homem e muito menos de um macho. 
E mesmo em vulnerabilidade, os que me amam de verdade fazem por mim porque já viram o meu império antes dele desmoronar por questões de saúde.
Inclusive a minha saúde é assim porque fui sobrecarregada por masculinidade tóxica de um sistema patriarcal impiedoso e covarde que anula totalmente o feminino e inclusive convence a mulher de que ela tem que dar conta de preencher inclusive o masculino que falta quando a macheza aparece e faz o macho mandar as facas a própria família em nome de orgulho, depois de toda loucura jogada nas costas da mulher e dos filhos. 

Por isso vou manter público o desastre ambulante que foi minha vida nos últimos dois anos em relação a confiança, amor e perdão. Eu dei tudo e vivenciei condições patriarcais falidas. Ouvi sermão de mulheres com o feminino totalmente destruído. Mulheres ressentidas e dependentes emocionais. Eu as admiro pela resistência, mas sinto muito por não terem sido fortes o suficiente para partir.

Fui atingida por toda essa macheza, que me cobrou postura, ignorando totalmente meus esforços e condições. 
Nenhum diagnóstico médico ou fato é considerado por machos. Eles ainda ofendem e sem a menor sensibilidade pisam na tentativa de aproximação, no pedido de desculpas pelas ofensas durante os surtos, mesmo em surtos gatilhados por eles. 
Sempre pensamos que o perdão é mútuo por causa do amor, mas não funciona assim com machos. 

Meu diagnóstico médico, meu momento atual, minha história de vida e minhas dores foram todas minimizadas.
Os machos querem mulheres com o feminino destruído totalmente pautado no caos da masculinidade tóxica deles pra justamente dominá-las e fazer com que se virem para servi-los como se fossem reis mesmo quando mentem, traem, aborrecem. E algumas passam tantos anos nisso que se esquecem de como é ser mulher, o quão divino é isso. 
Essas são levadas além dos limites e se amargam. 
As que se salvam alertam: "pega sua preciosa e vá embora antes de ter o psicológico destruído. Nada custa a tua sanidade". Eles te intoxicam e depois o louco são os outros. Eu me pergunto: "Mas todos os outros?" Não conseguem enxergar o quanto estão envenenados por esse sistema doentio que replicam sem uma auto análise e análise das circunstâncias. 
Eu sempre me livro de ambientes e relações assim, injustas e tóxicas. Onde todos enxergam o mesmo, menos os que estão ali. 

O surto tem um porque. As crises tem um porque. Meu diagnóstico tem um porque. 
E minhas partidas tem um porque. Meus retornos também, mas sinceramente, por experiência própria e relatos, nunca compensa retornar com um macho. Ele não sustenta o que se compromete a fazer. Sempre vai encontrar um momento certo de te menosprezar e desprezar a sua entrega, te julgar, te diminuir, até você surtar novamente. 

Tudo vai florescer, o amor sempre vence. A compaixão é o bálsamo da alma, mas a força de partir pra sempre é a própria cura. Demora, mas cura.
A minha história e a minha geração não serão encharcados pelo sistema patriarcal tóxico. 

É a mãe e a mulher aqui que vai se reerguer e sustentar a benção, a criação e o império. Sem descanso e com todo meu amor. Enquanto a minha feminilidade é honrada eu floresço e dou frutos a toda a minha descendência. E ao meu lado não aceito nada menos que um homem que se sustenta em matéria, emoções e decisões, que realmente me conheça e honre a minha história e essência, que ame minha sombra tanto quanto a minha luz e me acolha quando tudo estiver desmoronando pra mim e não diga que é coisa da minha cabeça. 
Um homem de verdade jamais me responsabilizaria por não ter alimento. Eu sou o alimento de seus filhos, enquanto o homem é o alimento da mulher. 
Eu nunca aceitarei ser uma árvore seca porque um macho não soube me regar. 
Me devolva a mim mesma, eu mesma me rego, eu mesma floresço, mas não venha querer usufruir dos frutos que você não regou. Esse é o meu aprendizado a respeito dos machos.
Eles vão tomando tudo o que é seu, inclusive a saúde, te deixam obesa de tanta sobrecarga emocional ou magra demais, depois de tanto te sugarem. 
Eu nunca aceitei perder minha essência, por isso detono a bomba e sigo em frente. Cada vez mais forte, mais feliz, mais admirada e mais pronta para uma vida abundante.

Não adianta ter grandes feitos como homem se os desastres são cometidos por sua macheza. "Do nada" a toxidade invade, meu surto responde e tudo se perde por causa disso. 
Esses ainda não se enxergaram e no silêncio da própria solitude não se suportam, são perseguidos por seus próprios pensamentos, tentando culpar quem intoxicaram. Mas se todos dizem: "fuja daí!", por que escolho tantas vezes retornar?
Quem me conhece sabe que eu insisto em ficar por amor. 
Mas nem sempre encontro a constância e a estrutura adequada para amar. O macho torna a convivência uma competição, estabelece metas e deveres irreais para o momento. Sempre querem um pouco mais, quando você está entregando tudo, mas não pra eles. Ficam enciumados, incomodados. Não reconhecem nada.  
Quando o feminino entra em evidência pela vulnerabilidade, o macho te encara e diz "não tá dando conta né? Mas precisa", ou melhor dizendo "É difícil, né... Ser mulher?"
Só é difícil ser mulher perto de um macho, sozinha ou ao lado de um homem, é sempre um prazer ser mulher. Aliás um homem jamais perguntaria uma coisa dessas. Essa pergunta diz muito mais sobre o macho do que ele pensa, "está em falta com as tarefas a serem feitas". Tarefas? 
Essas tarefas que ele mesmo não pode fazer, o cansado macho que quer tudo pronto e entregue. Não pode fazer também porque cresceu acreditando que casa e filhos é coisa da mulher. E quando ele faz está sendo um máximo! Me poupe. Quem ainda pensa assim tem um sério problema mental.

Macho não enxerga a estrutura falida que oferece, principalmente emocional.
Não. Eu não preciso de ajuda, se for fazer, faça parte, seja inteiro, entregue tudo com amor, não preciso de favores pra depois ser cobrada e responsabilizada por não ter feito. 
Quem tem que dar conta é o macho, de aprender a ser humano e se enxergar e virar homem. 
Olhar a própria vida e se questionar "Que porcaria estou fazendo pra perder tudo o que chega em minhas mãos?" 
É uma praga sem fim, somente por causa da arrogância. 
E o mais incrível é que os filhos enxergam antes que os pais. Sempre.
Espero que um dia toda a impiedade seja refletida para que vejam o quanto perdem por causa disso.

B'gio

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