Com amor, mamãe
Em 2 de março de 2026, você crescia em mim e te escrevi:
Nós somos as que correm nuas mata adentro.
Caçando. Sobrevivendo. Sentindo.
Enxergando o íntimo no coração humano.
Quando a loucura chega e o mal sopra o seu bafo,
nós não recuamos.
Nós encaramos — com verdade.
Nós encaramos — com amor.
Eu vejo você dentro de mim.
Doçura e selvageria coexistindo, inteiras.
Eu não fiquei com seu pai.
E escolheria isso de novo, quantas vezes fosse preciso,
para que você entendesse:
o seu valor, o meu valor — o valor de uma mulher.
Talvez hoje você não compreenda.
Mas um dia, quando o coração doer, você vai entender:
não é preciso permanecer onde há dor e desrespeito
onde desconfiguram tua feminilidade
onde minimizam suas dores e desvalorizam tua história.
Nossa arma mais poderosa não é lutar.
É ir embora.
Ir embora enquanto ele ainda acha que tem controle.
Ir embora e mostrar —
somos livres.
Amadas e esperadas
Nos cinco cantos da terra temos aliados
De norte a sul, de leste a oeste
e bem embaixo do nariz de quem pensa que te ganhou
Enquanto ele… prisioneiro do próprio ego.
Não tenha medo.
Nem da mata escura,
nem da luz do sol,
nem da sua própria sombra.
Homens gentis existem.
Mas são raros.
A maioria… não é.
Então não entregue seu coração
até reconhecer alguém que seja verdade —
por inteiro.
Por dentro e por fora.
Hoje, nós corremos nuas.
Você é meu ventre.
Você é meu coração.
Você é minha canção.
Somos águia e poesia.
Somos loucura e alegria.
Somos tudo o que quisermos.
Porque somos inteiras.
E eu confio.
Na terra que piso.
No ar que respiro.
Na água que me lava.
No fogo que me move.
Tudo vibra.
Tudo vive.
Tudo se conecta em nós.
E aqui — a vida flui.
Então me diga:
por que se aprisionar em controle,
em submissão,
em um homem perdido em vícios, ego e vazios?
Ele pediu apoio quando já tinha tirado tudo.
E ainda nos expôs.
Nos diminuiu.
Nos deixou sem chão.
Inúmeras vezes.
Mas foi ali —
no meio do descaso —
que eu lembrei quem nós somos.
Soberanas.
E quando eu afirmei isso,
o mundo viu:
rainha.
princesa.
Porque pessoas reconhecem quem não se curva.
Quem não aceita desrespeito.
Quem não se cala.
Não tente salvar quem nunca quis se salvar.
Você não deve nada a quem te feriu.
Observe.
Sinta.
Confie no seu corpo.
E ao menor sinal —
fuja.
Fuja e honre quem te acolheu.
Quem cuidou das suas asas.
Quem protegeu seu coração.
É assim que nascem as verdadeiras alianças.
Construa o seu reino com quem te valoriza.
O resto?
Sem culpa.
Sem dó.
Sem espaço.
Porque amor…
não salva ninguém.
O que salva
é a coragem de não permanecer
onde você só perde ou se perde.
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