um sentir familiar

Exausta...
A guerra me consome
a lucidez me desaponta
Meu sol é devorado todo dia
minhas luas deságuam , eu
continuo exausta
Sem lugar aonde ir,
sem descanso, sem alívio,
sem lar, com sorrisos alarmados e contidos
Eu não confio em viver
nem respirar, nem amar
A alegria é teatral, logo desmancha
O amor me destrói,
me golpeia e apunhala 
tantas vezes, maltrata.
Só é bom pra quem é amado
Constante e inteiramente
Hoje eu parto, levo a alma
ao inventário, aposento, me desfaço.
Me avisaram: "o amor de 
muitos esfriará" - não tive cautela
Minha escolha sempre foi amar, confiar, me estregar, transparecer 
e ficar conturbada.
Ser deslocada, testada, estragada,
levada ao limite - que não reconheço mais
E então sou deixada, inúmeras vezes, na dor, no desafeto, 
no choro desenfreado, 
no desejo de um abraço
Fico desconfigurada, dilacerada,
endureço, ensurdeço, emudeço
Estou exausta
Eu só queria uma casa
e meu teto continua sendo de estrelas, sem paredes, sem um lugar pra repousar a cabeça
A coragem de partir
É a coragem de me partir
E se me parte, evaporo
Me esvazio de mim, de nós
Eu espalho meus sonhos
No vento, no tempo 
A quem quiser sonhar
Mas em mim, novamente, não há mais nada 
Nem amor, nem sonhar, 
nem acordar, nem esperança 
Mais uma vez, estou morta
Um sentir familiar, eu já estive aqui antes
Sinto tanto por mim que não sinto mais nada...
Reviver toda essa dor, me rasgar
e atravessar toda angústia:
"por que me coloquei aqui novamente?"
Que eu possa aguentar! 
E nunca mais ouse sonhar, 
nem amar, em respeito a mim mesma.
Não importa a doçura 
que me cheguem aos lábios, 
ou olhares que me aquecem o coração,
não importam palavras que me despertem os sonhos
Eu fortaleço minha voz interior:
"O amor sempre põe a morrer, 
tema a morte, tome a vida e se guarde a sete chaves.
Um amor, uma vida, eu já vivi o meu."
Estou exausta.
Me resta esvaziar até que não 
sobre nada e novamente eu possa partir.
É o que tem que ser.
Antes que a loucura do descaso me atormente, 
antes que o banquete da morte eu novamente receba, 
antes prefiro o café com a solidão.

B'gio


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