O melhor de tudo
Com a fé abalada e o espírito abatido
Aquela que um dia prorrogou a resiliência
Hoje respira com dificuldade
O descaso abala os montes e provoca vulcões
Enquanto dormem as paixões e os sonhos da alma
O verdadeiro amor mora nos detalhes
E o detalhe têm sido solidão e pensamentos infindáveis
O amor tem sido perspicaz
Quando deveria ser apenas entrega
Enquanto você se ausenta, eu fujo
Onde um só ama, não há palco para o drama
Quando a preferência se perde a comoção se esvazia
Eu sempre funcionei dessa forma...
Minha vida é nos shows e nas cafeterias
Com boa música, solidão, escritas e valentia
Quando o amor me convida ao lar
Ali eu floresço, permaneço e dou o melhor de mim
Mas quando sou opção, disperso meus planos no submundo
Onde nunca fui expulsa e sempre fui notada
Quando canto sou águia, fera, anjo e mulher
Quando fico por empatia, sou ressentimento e agonia
Eu não vou te esperar na sala até o nascer do dia
Não vou esperar nem por alguns minutos
Eu não peço atenção e companhia
Quando claramente a sua intenção não é estar
Quem quer de mim a fonte se põe ao meu lado e permanece
Confia no meu vôo e nunca me esquece
Eu nunca tive lar, mas tenho tocas pra onde sempre corri
Copos e distrações, nunca amigos
Porque pessoas são influências e escolhi nunca me perder
Faço um lar amável quando tudo caminha em família
Mas quando viro opção, me torno invisível
Fujo para os contos, onde as rainhas me pedem conselhos
E os olhos me observam curiosos
Ali respiro, ninguém pra esperar, ninguém pra agradar
Apenas desisto e me embalo no som, nas cores
No sabor das bebidas, no jeito das pessoas
Seus conflitos, suas palavras, seus martírios
Espero meu corpo querer apagar e só então volto pra casa
Sua boemia não faz diferença pra mim...
Mas e a minha selvageria, te assusta?
Eu dei spoiler, portanto não espere que eu seja seu lindo e longo esperar
Filhos não me prenderiam, rotina muito menos
Eu me vi nua e grávida correndo ferozmente por um campo
Eu sorria e sentia uma excitação peculiar
Quase como uma embriaguez de alegria
O poder de formar órgãos, pele e fibras
Como uma linda sinfonia
E a coragem de ser ainda mais livre
Uma deusa pequena e cheia de mistérios
Eu não temo a morte, muito menos a vida
Não temo a dor, a ferida, a partida...
Sou marcada pela injustiça e por isso hoje posso voar
Minhas asas ferem minha pele, rasgando-a ao se prepararem
A dor insuportável hoje é desejada
Porque transito bem em todos os planos
A morte me rejeitou e a glória também
Eu, imortal, já fiz todo sentido e não vejo a hora de partir
Sabendo que nunca irei de fato
Meus filhos terão orgulho de mim
Blindados por minha intensa liberdade
Uma mulher, uma mãe, uma amante
É um prazer ensinar sobre como é ser tão selvagem
Todos crescem, mas os meus terão asas
Porque a dor que me banhou de sangue
Os libertou de qualquer prisão
Deve ser por isso que ainda não os tive
Só um louco ou um bobo teria tal coragem
E eu odeio os bobos.
B'gio
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