Pássaro na gaiola


Minhas belas asas e penagem colorida
Pesam contra as grades da gaiola
Pelo vão expiro a frustração
O destino me deseja como um ímã
Mas pássaros criados em gaiola 
Não sobrevivem quando livres.

Quem dera eu pudesse em um ato de anarquia
Convocar os amantes calorosos 
Que com toda paixão correm selvagens
Por toda parte,  abrindo gaiolas 
Talvez o gosto do voo 
Compense a incerteza do fim

No frio, sem ninho, sem rumo
Enquanto chove no horizonte
Da gaiola, na janela, assisto
O beijo apaixonado, a dupla a dançar
O sorriso a correr com e sem graça
O chorar que escorre entre os orvalhos da pele


Eles saboreiam a existência pela tela colorida
Eu me embriago pela tela cheia de vida...
Bem ali, entre os vãos do meu lar, há vida! 
Ah, vida! Como me falta o ar...
Passar a vida atrás das grades 
Sonhando que vivo a voar pelo vasto céu de amar.

Bea'Gio

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