Dama de Sol

De uma forma ou de outra saí da cadeira de balanço...

Enquanto me balançava na varanda de uma casa de bonecas, percebi que me privava de mim e do sabor maravilhoso de estar enganada. 

O desengano virou veneno em minhas veias.

Hoje, como sobrevivente, me encontre por aí...

Correndo, caminhando, sangrando, amando, enlouquecendo, sorrindo, chorando, vivendo! 

Equilibrando-me entre as telhas das casas, pulando pelos telhados, fugindo do sistema corruptível, falocêntrico e inaceitável... Me encontrando com minha essência.

Ser mulher é ser feroz porque o nosso faro não nos engana. 

Submissas a quem verdadeiramente  ama nossa alma indomável pelos dessabores vividos.

Omissas aos que exigem e esperneiam por respeito como se o devêssemos. 

Caça e caçadoras, guerreiras o dia inteiro.

Mas a noite, nos despimos. Nos desfazemos nos amores e no silêncio. 

Eu, meus olhos profundos, meus cabelos serrados e meu corpo adoentado amam repousar nos braços de quem me quer inteira sem porém ou tempo escasso.

Antes pó entre folhas escritas. Hoje um forte vento que sopra o pó pelo espaço-tempo, faz arte em todo e qualquer momento com os fracassos e as desistências.

Cansada das vendas que tentaram me submeter. Exausta dos shows que me forçaram assistir.

A minha luz não se aguentou e vazou por entre os poros de todo meu ser. Virei luz!

Apenas uma luz de vento. A dança das luzes iniciou.  A dança do pó me alegrou.


Quando me sentei na cadeira de balanço, me acharam mansa. 

Onde há em mim mansidão senão quando minha alma é tomada por paixão?


Os destinos, os caprichos, os desvios.


Sempre soube que em mim havia uma fera, mas não imaginava que me era tão vital. 

Tão parte de mim e da minha feminilidade que grita por ser amor, por ser de amor. 


Eu a peguei no colo, ela estava ferida... Despedaçada.

"Mãe, por que me abandonastes?" 


O seu coração negro, frio e estagnado ouvia a voz mandona que dizia:

"Levante-se e resista. Você não pode lutar. Seja feliz e sorria".


Os fatos estavam ali e a femina sangrava pelos poros... Soberana de mim, carrasca de mim.


"Eu te amo", ela me dizia enquanto se expandia em luz através de mim. Sua luz cura, acolhe, remove manchas, adoça o amargo, limpa o sangue e faz pulsar com intensidade a fé, a esperança, o amor, a vontade e a saudade.

Sua luz grita com força "Ame-me quem puder! E quem não puder, se vá, com todo amor!"

E todos que sabem como o fazer permanecem.

Antes Dama da Noite, hoje Dama de Sol

Na verdade, não é feroz,  é mulher.

Bem-vinda novamente em mim, bem-vinda de mim!


BeaGiomarelli


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