Dourar
As gotas da chuva foram douradas.
Não eram de ouro, eram como enfeites...
Puras, claras, contagiantes.
As gotas se misturavam sob os olhos
Sobre a pele com a chuva...
Borbulhavam...
Ansiosas pela luz que emanaria virtude
Foi assim, um sonho individual no meu mundo
E tudo foi lavado pela janela da alma
Quem nasce sob regime do Sol
Brilha sem fim e se completa por si
E quando só, é um mundo inteiro
Se não te basta a vida que leva
E te arrastam as lembranças do passado
Espere um pouco mais...
As mãos flácidas trabalharão eternamente
Eu fotografo cada fato
E inspiro confiança para conferir meus sonhos
Que sejam construídos os castelos de areia
Porque o mar bebe deles a saúde e o mistério
Jamais renunciarei ao prazer de me enganar e errar
Não me vejo grande, porém sensata
Hora tropeço, hora embalo
Mas não paro a caminhada
E pra quem foge da dor
Como foge da chama viva que o perdão assopra
Fazendo do canto um porto trêmulo
E da melodia um sabor ameno
Que invista no sonho para não se perder
Que acentue um quê de vida aos traços turvos
E que tenha sorte quando as mãos tentarem tocar o céu
Que a criança te encontre...
Os gigantes se alinham
E as alianças serão sempre rompidas
Pois os ventos sopram lâminas
E o aço derrete por paixão
Encrava no peito magoado
Endurece com água e arde
Até que a verdade invade
E o saber acaba fazendo parte
Beatriz Giomarelli

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