Xeque!
Desejo sucumbir ao convívio forçado e cultivar memoráveis momentos de um faz de contas. Onde o pobre morre e morde forte as contas de luz, água e as dívidas a pagar...
Senhor Conhecedor, quem aperta contra os dentes merece recompensa, não? Diga-me, já que a tudo e todos conhece, me explique... Às sombras me escondo e permaneço. Sei que existetempo para tudo, inclusive para pronunciar sem atingir a loucura.
Dentro da guerra, minha boca vacila falar de amor e encontro nessa coragem, alguns que pensam e tentam fazer o mesmo. Mobilizamos aqueles que sabem interpretar as palavras que contornam um exemplar amoroso. Acionamos traços inocentes que desenham um corpo de uma gente que cabe dentro da gente, refletindo-a minusciosamente diante da luz ardente ou fria, depende da ousadia que propusermos no estudo dessa gente.
Sei que os olhos que vêem contente se enchem de gente e recebem o respeito para respeitar e o direito de julgar.
A noite me encontra e a lua me chama... Ela dança sobre o mar, buscando o meu olhar.
Atrás do palco sempre existe algo oculto, algo mágico!
Como não amar tudo o que nos cerca? Como não amar até aquele que compõe com esforço o desenho no espaço de uma agressão? Eu procuro atingir toda a extremidade possível de minha quinesfera só para alcançar um abraço.
O fato é que, em relação a nós dois, posso dizer: "Eu não sei dançar tão devagar pra te acompanhar..."
Dizes absurdos. Quando vens dizer. E o silêncio é corrosivo. Preferências tolas. Inconformação súbita ou calada? Prefiro estar neutra... Sou cinza ou mímica? Responda sins e nãos.
E que os esclarecimentos sejam todos poesias. Esta decrescência...
Será que o mundo está mesmo regredindo? Será que tudo ficou muito livre demais? Soltos como cinzas sopradas ao vento... Talvez estejamos todos mortos e nem nos demos por conta.
O que faz a sua força? O seu dinheiro...? O que você carrega pendurado em seus peito? O que você carrega pendurado em seus ombros? Como preenche seus dias cheios de vazios? Sua caneca alcoólica esvazia? Ou suas lágrimas num canto secam amargas e sozinhas? Qual é o sentido de todas suas predisposições? Qual o sentido em fazer...? E o depois, quando a satisfação lhe invadir a alma e você notar que ninguém veio sonhar com você? Capacidade todos temos... E competência para ser e beneficiar ao ser?
A lágrima que escorre grita por humanidade! E sua carne esnobe ainda continua buscando pelo prazer simplesmente por prazer! Por que fazer o básico e fácil se fomos criados para o desafio, a ousadia e até mesmo o impossível absurdo beneficente?
Xeque!
Prepare suas armas... O que faz a pólvora que um bom diálogo ou abraço não fariam? O que faz a bomba que uma manifestação silenciosa não faria? O que faz a violência que a arte não faria? No mais, devem ainda existir, para que a oposição consciente exista e resista a cada dia, sem cair na banalidade!
Beatriz Giomarelli

Comentários
Postar um comentário