Mágoa
Minha mágoa é um poçoÉ um poço sem fim
Um poço amordaçado
Com ferida incurável
Com lembrança cruel
Meus dias tem sido noite
Noite apenas pra mim
Que olho para o sol,
E o vejo embaçado
Diante da lágrima que tenta me erguer
Não sinto mais vergonha em dizer
"Magoada estou"
Minha mágoa é um poço
É um poço sem fim
Um poço amordaçado
Com ferida incurável
Com lembrança cruel
Meu peito, sem coração
Meu pensamento é um fel
Meu sonhar é um ruído
Meu destino é o grito
Minha espada enterrada
Na Terra da Esperança
Meus olhos não mais vêem
Meu sorrir, não deslumbra
Meu corpo já em tumba
Minha mágoa é um poço
É um poço sem fim
Um poço amordaçado
Com ferida incurável
Com lembrança cruel
O que acolhe te encolhe
Passei a acreditar
Que no mundo das fardas
Tem borboletas a voar
Não demonstram seus brilhos
Porque ninguem os merece
Antes que caia a noite
Se escondem de leste a oeste
E então o zumbido não é riso
É o chorar das borboletas que sofreram assim
Minha mágoa é um poço
É um poço sem mim
Beatriz Giomarelli
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