Minha vez


Sempre espero a vida, a hora
Sempre vejo tudo indo embora
E me sento calada consciente
De que isso é coisa de gente como a gente


É tranqüilo, imortal, inconstante
Ele sopra e retorna a qualquer instante
Pela janela traz a sorte oscilante
Leva embora a dúvida cruel restante


Ouço o carma bater em minha porta
Questionando a minha inércia
O susto me entorta
E meu coração acelera


Posso correr ou gritar?
Posso sorrir ou chorar?
Tenho a sorte em mãos agora
Sei que tudo se foi e agora é minha vez


Cada passo meu te faz sangrar
Como um punhal a perfurar 
Te cala e te engasga até a morte
Aqui esta a minha sorte!


Sujo o triste com sangue
O sopro sempre retornará 
E talvez seja a minha vez de sangrar
É a vida, é a morte ou é o homem?


Largo a sorte, agarro o lenço e me sento 
Sou inerte, sou concreta, incoerente
Agora nada mais sou que a filha do vento

Marcada na vida, entristecida, carente.


B'Gio.

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