(E)terno

Hoje percebi
que não consigo imaginar um mundo
onde você não está
sem me angustiar profundamente
e me sentir incompleta.

Porque sua vida me alegra imensamente,
enquanto você existe
eu resisto ao mundo
e a toda a poeira
que me embaça os olhos.

Tenho jeitos peculiares
de expressar minhas frustrações,
a sensibilidade aguçada
me altera o apetite,
o sorriso
e o prazer.

Como se pudesse existir
apenas um sentir dentro de mim,
apenas um frustrar,
mas sem nenhuma garantia
de duração.

Um início, meio e fim
em percursos atemporais,
e isso me faz compreender
que em relação a você
parei nessa camada de tempo
e esse existir
eu não continuei.

Aqui,
você sai para trabalhar
e eu ainda estou ali,
no quarto de paredes azuis,
esperando você retornar.

Todas as emoções de quem sou
se revelam
em todos os tempos perceptíveis.

Eu ainda espero por você
a cada abraço e olhar,
muitas semelhanças,
mas nenhum é você por completo,
e eu o quero de volta
pra mim.

A ansiedade que sinto
é por tanto querer saborear a vida
vendo da sua janela,
mas com receio de sair do quarto
e desencontrar.

E quando aqui,
por onde segui,
a tristeza me aflige
e o perverso me esmaga,

cada átomo meu,
desejando viver,
corre pra linha do teu abraço
e tenta refugiar
nos teus lábios.

E pronto,
voltei pra tua casa.

Libero as mágoas,
volto com perdão,
volto perdoada,
desejando amar
e ser amada,

te encontrar completamente
na linha presente
ou passada.

Porque o presente
é um ímã que exige resposta,
e na linha presente
não viver
é perigoso.

Corre-se o risco
de nunca mais ser feliz.

Hoje é dia
16 de julho de 2069.

Todos os pássaros cantam no céu,
e eu canto meu amor por você
debaixo das sâmaras aladas.

Me despeço da terra como raiz,
me despeço do sonho como atriz,
me lembro do nosso corpo e alma,
sinto o nosso gosto,

lembro das canções,
dos olhares
e pronto.

Felicidades,
o tempo é uma grande ilusão.

Nosso amor
é (e)terno.

B'gio

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