Memórias picotadas
Como vai você?
Dizer como me sinto e não dizer é o mesmo
Poucos são os que se sentam conosco na chuva
O véu da vida se rasgou pra mim
Nada tem tanto caos quanto meu respirar
As vezes passo horas, as vezes dias
Coletando memórias picotadas em partes vivas de mim
De sorrisos sinceros, abraços presentes, olhares atentos
Amo pessoas que ralentam o tempo
Que cuidam do que amam, que se demoram sem se perderem
Pessoas que trazem café para as lágrimas
Que deixam a louça para um longo aconchego no sofá da sala
Pessoas que ouvem os gritos de almas cansadas
Que entenderam que sonhos são ilusões
Que amores são raríssimos e adoecidos
Que todo tempo do mundo é pouco pra quem realmente ama
Que carinho as vezes arranha porque a ferida está aberta
Por que tanto fazer?
Na hora da partida são sempre os mesmos arrependimentos
O tempo não vivido, o que não foi dito e vivido
Então por que continuamos desprezando as dores?
Adiando as visitas, evitando o amor
Logo sou eu ou você atravessando o fio da vida
E continuamos sonhando com reencontros
Experimentando uma vida cheia de fadiga e enganos
Eu sei, sou uma romântica incurável
Que ainda acredita no amor e principalmente na bondade
Tantas vezes atropelada e renascida
Recusei-me aprender uma lição tão dura
Eu continuo querendo provar que não sou a única.
B'gio
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