Drenar
Esse lugar drena minha energia
Teu incômodo suga meu ânimo
A hora voa e quando percebo nada fiz
Além de sofrer com suas nuances
Abdiquei de um bom riso por sua cara amarrada
Os anos passaram e fui lançada no inferno
Fiz amizades sinceras ali
E agora sai para amar loucamente
Mas nunca mais incondicionalmente
Seus murmúrios e segredos
Minaram minha confiança
Não vejo a hora de correr daqui
O que me guardou a sanidade
Foi encontrar com loucos e seus desejos
Ainda me pergunto pra onde vai
Tudo o que não dizemos
Os sentimentos que engolimos
Que não caem dos olhos
Nem explodem no estômago...
Sempre um desistente
Tão resistente em lutar, ao menos sentir
Persuadi-me pelo tempo
De segundos em minutos, minutos em horas
Horas em dias até se passarem os anos
Não pertencer me presenteou com asas
Hoje faço longos vôos
Sinto incendiar minhas asas
E quando elas queimam
Aterrizo violentamente meus pés na terra
Meu suor me finca no solo úmido
E ali corro selvagem, nua de dores, apegos ou saudades
É assim que me sinto viva após tantas mortes
Eu precisei aprender a morrer com classe
Para saber o que é viver de verdade
B'gio
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