Sonho

Realizar é um buraco sem fundo
O existir é eterno
O que se pode experimentar internamente 
É mais especial que meras feições
Leve essa para o berço
Os sonhos não são bebês, são gigantes
E se você não encontrar graça em viver sem mimá-los como filhos
Certamente te engolirão como monstros
Não agora, nem amanhã 
Mas uma hora, te engolirão 
E a frustração será o pranto do velório
Eu nada realizei...
Passei a vida até aqui 
Sendo quebrada por quem me traiu
E me pondo a consertar cada pedaço meu
Mas não sou frustrada
Eu aprendi a viver
E esse mundo não merece absolutamente nada de mim 
E nada aqui é pra mim
Algumas músicas abraçam meu desejo de partir o mais rápido possível 
Até me convencer que esse abraço é um bálsamo 
E me fazer gostar muito daqui 
Enquanto todos correm desesperados
As palavras me encontram
Todas as piores sensações se apresentam pra mim
E eu sei que logo serei tirada dessa terra
Mas todos que passaram por mim 
Literalmente passaram por cima
Realizando seus grandes feitos!
Entusiastas são descartáveis porém essenciais, não é?
O desejo que tenho hoje é partir
Porque não consigo mais imaginar 
Quanta dor carrego em meu olhar
Quanta violência transpiro
E não quero mais contar histórias dolorosas
Justificando minhas covardias
É muito ruim viver sem medo 
Eu abraço minha escuridão 
Eu a amo mais que a vida
E continuo a sentir 
Porque pensar é demais pra mim
Estou exausta e grata
Ao doce amor que aqueceu meu coração nesses últimos dias
Instantes de um fim muito bom
Se eu fosse imaginar um fim 
Não conseguiria pensar em algo melhor
Estou em paz com a luz e em paz com as trevas
Eu me dei à loucura e a guerra cessou
Tudo o que me aproxima da morte me coloca a sonhar
A vida juntamente com o ego alheio
Roubaram todos os meus afetos e destruíram o meu lar
A linha da vida foi levada de mim 
E me prendi ao abstrato do meu mundo
Eu quero gritar de dor, mas de repente não dói mais 
Porque não tem som...
Você consegue sentir? 
Seria demais pedir 
Que me construísse um castelo de cartas? 
Que me amasse como um valete de copas?
Que me curasse com o próprio três de espadas?
Quantas ciências seriam necessárias para consertar meu coração?
Não terei tempo suficiente para descobrir
Apague as luzes e desarme-se 
Não é de hoje que esse monstro espreita
E estica a mandíbula para me engolir inteira 
Deixa ele vir, eu durmo feliz.

B'gio


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