Disforme
Nada mais sou que uma alma cansada e sedenta por humanidade
A deformidade interna sempre foi precoce
Mas percorro as estradas da vida com rastros de cor e luz
Sinto alívio nas têmporas
Um alívio imperceptível por ser inigualável
Ao mesmo tempo ausente e enfadonha
O peso do vazio faz tanto vácuo que me sinto pressionada
Como se todos os meus órgãos quisessem expurgar
Essa sensação, um cansaço de tentar manter tudo do lado de dentro
Ou pelo menos por perto
Perto de quem sou em essência
Soltem essas xícaras!
Corram livres e nuas pelas florestas densas e frias
Gritem, loucas de desprazer e ausências
As louças não podem assemelharem qualquer construção caótica
Muito menos as cadeiras da mesa de jantar
O maior exemplo de como ser exclusivamente solitária
Tendo missões de amar em desordens emocionais
É incoerente ao tipo de alma que selvagem cede à natureza bela e rica em mistérios sombrios
O Deus e a Deusa e todas as demais dualidades
Onde me cabe sombrear e ser amada por inteira
Mais do que dar, receber sempre, em qualquer momento e circunstância
Essa é a missão da feminilidade excêntrica mas nunca foi a minha
... Por quê?
Uma pausa angustiante
E uma boa noite aos rinocerontes que pisoteiam jardins belíssimos.
Bea Gio.
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