Lady Eclipse
Eles disseram ser transtorno bipolar.
A sonda até o estômago, esvaziando-me das frustrações. Lá no mundo de Elvis, ao som de "Can't help falling in love", meus dedos dançavam.
Em outubro, no dia das trevas, completo um ano que nasci. Mas não sou daqui e não entendi até agora por que não consegui partir.
Eu sou tão feliz quando fecho meus olhos e me esforço para que meus pensamentos me levem a concluir que a vida é bela. Ela de fato é...
A condição química não me cega, mas essas tempestades trazem angústias infinitas.
As quatro estações desnorteadas não impedem a chuva no verão ou na primavera. Enquanto isso vivo por eclipses, onde a lua e o sol se amam e a terra e a lua dançam. Não é ironia!
Eu precisei criar um lindo amanhecer dentro de mim, pintado com tintas lacrimais. O futuro é uma ideia, sempre foi.
As palavras são esbeltas por tanto correrem em minha mente. E os questionamentos "por quê?" e "pra quê?", já são filhos adotivos e mimados que mamam em meus seios enquanto eu desfaleço de cansaço.
Em algumas semanas tudo desabrocha. O peito solta, o ar retorna, as lágrimas secam e novamente sou cheia de beleza e amor.
Sou amada em instantes. Difícil é reunir tão poucas recordações na hora que a solidão envolve a alma até matar.
Ela mata, todas as vezes mata, como uma tortura do inferno, uma cena que se repete noite adentro até não sobrar nem o desespero pra ter que tomar fôlego e recomeçar.
O eclipse vem, em sonho, em valsa, em calor, em mera imaginação. Não importa como, ele me nomeia, rega minha semente e faz florescer.
Mas eu tenho um segredo pra você...
Só me restou uma semente e os dias maus ainda nem chegaram.
Um adeus cheio de afago... O amor me espera bem vestido e com ternura.
Eu passo batom, subo em um salto, não muito alto porque já tenho pernas e quadris avantajados, contorno o olhar, penteio os cílios de preto e "Voilà! A bonequinha do caos".
Beatriz Giomarelli
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