Sobre o amor da criação
Quem sabe essas histórias de amor impossível
Sejam moldes reais do que é correto.
Eu viajei em círculos, cirandei em volta do mundo
Dentro de todo absurdo que se possa pensar
Agora sou eclipse outra vez
Excêntrica e familiar
Definitivamente não quero nada enquadrado
Meus esquadros são espelhados
Meus quadros são abstratos
Mas mãos certas pintam obras incríveis
Hoje sei que as mãos certas são as minhas próprias
E aquelas que tocam minha alma com gentileza
As mãos certas são de almas intensas como a minha
Realistas como a minha
Extremamente verdadeiras
E desesperadamente inteiras no existir
Meias palavras, meias verdades não nos servem nem nos pés...
Amamos pisar descalço
Sentir a terra entre os dedos
E conhecer toda profundidade de dentro e de fora, da luz e da sombra
Nós corremos mata adentro
Famintos e feridos, vividos e cautelosos
Precisamos avançar ferozmente
Contra a manada de gente inconsequente
Que cruza nosso caminho querendo nos apagar
Ou cutucar nossas feridas sem qualquer propósito
Deixe-nos!
Somos velhos demais para brincar de doutor
E novos demais para ressentir tantas emoções
Sou eternamente paixão
E completamente amor
Em todos os sentidos, em todas as artes
Em todos os sabores, em toda escuridão
Em todo sentir, em toda expressão
Em todas as dores, em cada oração
Em toda morte, em toda comoção
Pra sempre pantera negra tentando rugir como o Leão
Pra sempre soberana de mim, doa a quem doer.
É necessário que seja assim para que o mais forte seja o par.
Porque o sol invade a lua
Como os animais se invadem no sio
A luz invade a escuridão
Como os corpos se invadem quando se encontram inteiros
E tudo é ordem dada por quem faz a dança da vida acontecer
Inteiros são os que sem medo sentem
Os que sem medo se arrependem
Os que sem medo recolhem seus cacos
Os que sem medo se reconstroem
E os que sem medo vivem a flor da pele e sem pesares.
Esses são inteiros, felizes e condizentes
O restante são meros covardes
Como podem falar sobre o que não conhecem?
O amor sem prisões
O perdão sem terceiras intenções
A paixão que destrói o ego
A traição que te faz provar fel e o céu
O inferno que te esbofeteia e te faz optar pela sobrevivência
O simples gesto que te faz acreditar nos próprios sonhos
A ira que te lança a extremos válidos
A compreensão que te faz respeitar sem meios termos
A escravidão que te faz ser amor por desejo
Como poderão covardes dizerem qualquer coisa a respeito?
O covarde vive do que dizem
Quem realmente vive reconhece quem já viveu
Reconhece quem corre pelas matas pra matar sua caça
Sem crescimento discursado
Mas discernimento instintivo e direcionado
Vivido e muito bem representado
O amor da criação é perfeito e inteiro no existir
Por que o nosso deve ser palavreado?
É covardia essa desistência de existir
Não existe nenhum amor nisso...
Nem por vidas nem tampouco por quem as criou
O amor é feroz como a morte
E misterioso como a vida
O olhar de quem compreendeu esse mistério
Será sempre profundo e silencioso
Pacato e irreversível
Olhar focado e levemente exausto
Busque por eles.
Beatriz Giomarelli
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