Te resumem a um deslize


A dor é tamanha. Mas me sinto um pouco mais curada que a maioria. É como se todos vivêssemos como balões num jardim de rosas, cheias de espinhos.
Foi aí que percebi que me sinto um pouco mais curada que a maioria... Quando se ferem por me seguirem, se furam com os espinhos pelos quais passei tentando desviar. 
Começam a perder o vento, murmuram sobre as dores de amar e te resumem a um deslize. Tudo por causa de uma escolha, um mísero momento que você escolheu passar por um espinho pra evitar outro. 

Percebo que estou curada um pouco mais que outros, nesses momentos furiosos, sou aquela que masca compulsivamente várias gomas pra tapar tanto o meu furo quanto o do outro, mesmo ele estando atordoado por estar murchando e me resumindo a um deslize. 

Qual seria esse deslize? O de viver onde vivo e conviver com tantos espinhos no caminho?

Quando fora o contrário, eu me furei nos espinhos, me esvaziei inteiramente, senti a dor amarga como se o coração fritasse. Haviam palavras castas e um cordão muito bem colocado entre nós. 
A frustração rasga a alma. Um desgosto pelo outro não ter analisado bem o que havia pela frente, era muito mais escuro naqueles dias e foi doloroso o fato dele ter me arrastado pelo caminho sem o menor cuidado.
Eu senti de ir embora, mas olhei meu caminho e ali também haviam espinhos. Não posso culpar quem, por amor, quer flutuar pelo jardim, alçar voos e se libertar.
Então de forma abstrata, sai de mim, me emendei e me enchi novamente, voltei ao amor e o tratei também.
Eu disse: "por favor, olhe por onde vai, vá devagar, levite ao meu lado. Melhor dois flutuando juntos que um só".
Infelizmente ele não quis flutuar junto. Então eu o soltei depois de muito me esvaziar.

Eu refaço isso quantas vezes for preciso, por amor, por amar, por perdão, por sonhar...
Porque o amor sofre e se mantém, é benigno para remendar furos, não inveja quem tem menos espinhos pelo caminho. Não é mentiroso sobre o que sente e pensa, não se sente melhor em amar do que o outro, não é desonesto ou indecente em suas ações, não prioriza a si próprio, não murmura contra o outro, não desconfia de boas condutas, não descansa enquanto a situação não lhes aparecer justa. O amor sofre quando o outro sofre e sonha pelo sentir pleno de ambas as partes, ele espera pelo fim da chuva com paciência e suporta os espinhos tanto os seus quanto os do outro.

Veja bem, estou aprendendo a amar, posso dizer que minha resiliência sempre me fez estar inteira para levantar quem quer que esteja ao meu lado, inclusive a mim mesma. 
Poucas vezes falhei nisto. 
Mais que levantar, eu não destrono o amor por um deslize. Eu o honro para que ele se erga em constrangimento e força.

Por fim, me resta sonhar...
Sonhar que um dia a chuva vai passar, recuperaremos nossas forças pra voarmos o mais alto possível, longe de tantos espinhos.
Trazer conosco quem amamos e fazer nascer amores durante o voo.

B'g

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