ALL IN ONE
A bela não está mais na janela
Em meio as flores da sacada
Nem sorrindo porta afora
Nem descendo com pressa as escadas
Andando...
Ofegando...
Parando!
Ela está em seu quarto
Na frente do espelho
Olhos taciturnos
Fixos no reflexo da boca
Pálida...
Turva...
Inconformada!
Respira com dificuldade
Os olhos enchem d'água
Na verdade, a luta nunca é externa
Seus algozes são altivos
Sonhos...
Anseios...
Irrealizáveis!
Seus cabelos emaranhados
Pele de loucura e pele de caridade
Dá ombros e carícias
Ombros largos e curvas raras
Farta...
Intensa...
Inacabada!
Dentro dela a fera esmurra
O peito por dentro camufla
Alegrias e alergias do coração em chamas
E a dor sai num riso infinito
Contido...
Partido...
Ferido!
Não existem respostas
A fera não obedece a bela
E a bela não vive sem a fera
O devaneio é o elo entre elas
Santo...
Necessário...
Estranho!
Na estrada, correntes se arrastam
E o verde balança a esperança estagnada
Nada é tão dela quanto a fera
Que a corrói e a constrói
Infinitamente...
Dentes...
Estridente!
A força ganha forma
Tudo se quebra em volta
E a bela retorna a hostilidade
Que bruscamente sufoca
Entorta...
Enforca
Morta!
Porque a morte da bela é inferno
Mas dá fera é paraíso
A justiça é tomada pela força
E para a bela é feita no que é preciso
Sedento...
Ameno...
Tardio!
Eu que escrevo, sou a terceira dela
Nem sou bela, nem sou fera
Mas assisto e admiro
Enquanto a criança dorme
Acorda...
Transborda...
Renova!
A matriz é o amor
E a construção é all in one...
Para toda ação uma reação
E para toda decepção uma expressão
Paixão...
Intuição...
Frustração!
A que congela os sentidos
A que matuta o próximo passo
A que desmente os fatos
A que vê o sol nascer quadrado
Analisando...
Amando...
Deixando todas serem nossas!
B'gio (29-06-2021)
Comentários
Postar um comentário