Humano

“A águia voará por toda a obscuridade do teu ser, e lhe trará nas presas, os ratos que fulminam a tua saúde e bem estar”.
A minha mente é tão fértil que posso escutar suas asas... Amontoando pilhas e mais pilhas de ratos aos meus pés, limpando o meu mundo devastado.
O amor atravessou as barreiras do imaginável, se tornou algo que ambos não conheciam e reagiu com suas estupidez, pensando que estava tudo bem.
Essa não é uma história comum... É uma história... Humana... Acima de tudo: humana.
Portanto cheia de erros. Mentiras. Falhas. Desilusões.
Entrando em terras desconhecidas, cegou, agonizou, desiludiu... E acabou.
E, bem no fundo, da alma e dos sonhos mais lindos, ambos sabem que ainda se pertencem, que possuem um elo. Por isso que de tempos em tempos, eles se sentem um ao outro, como se a pele fosse uma e o coração também.
O destino daquelas que se entregam: “tecer, chorar e esperar”. Tocam e ouvem músicas surdas e ecos risonhos. Na pena, sentem a mão forte e amada pairando protetora sobre o peito.

O dono da lua vigia toda noite sobre a calda minguante e fria, a amada se despir e se por pra dormir. Acompanha seu sono pela terra dos sonhos e se agarra em teus braços, respirando as nuvens encaracoladas... Seus cabelos... Abraça-lhe de costas, lhe entorta e lhe beija a nuca, lhe beija inteira... De fora pra dentro e de dentro pra fora.
As lágrimas não caem e se tornam risos. Uma ausência infinita no dia-a-dia.
Noutrora, a dama do sol se inclina ao céu feito fênix, ao brilhar dos primeiros raios do dia, voa pelas beiras dos últimos cochilos sonhados e chora tuas lágrimas curandeiras sobre as feridas amargas do amado.
É irônico como só conseguimos prometer quando estamos tristes, embriagados ou irados. São promessas que nos vemos destinados a cumprir... Mas o amor, é um rabisco no escuro e amar é rabiscar infinitamente, sem pausa, nem cansaço, por toda a vida. Esses rabiscos hora se encontram, hora se perdem... As vezes jamais se reencontram. Mas nunca deixam de ouvir o rabisco de quem já se amou.

Os olhos não mentem e mesmo com a maior frieza da lua, o sol ainda nasce pela manhã, mesmo que por muitos dias, quadrado.

Beatriz Giomarelli

Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Apocalipse

A verdade que eles negam

Majestade