Amor Prostituto

Sedenta, entregue, saudosa
Quantas perguntas sem respostas
Ali reconheci o meu inferno
Fui mais forte que tu
Enfraquecido, morto, tolo...
Ainda crês melhorar, depositando esperança
Nas mãos de um pobre ser neandertal
Para tornar tua alma mais honrosa e plana?
Deve estar no alter status de insanidade
O silêncio não o tornará menos impuro
Eu é que virei lixo
Meu amor se prostituiu
E agora, de vergonha chora
Tão alto que mal posso sonhar...
Sempre fui ensurdecida
Agora sou muda e suja...
Sou apenas riso em vão
E não há amor que se achegue
Que estimule reviravoltas
Não há sonho que amenize esse trauma
Meu amor se prostituiu
Enquanto saciavas tua sede 
Por não querer putrificar outr'alma
Meu pobre amor se prostituiu
E chorou, enquanto a ti, partiu
Nos lábios um sorriso doce
No peito, um amor prostituto
Pesado, caro, fracassado
Frustrado e tão cansado...

Antes fora raridade
Hoje é só um pedaço de carne
Que bate, arde, chora e é tarde...
Gozou ao som de outro nome
Nas mentes, oposições e fome
Fomos ambos cuspidos na vaidade
E eu ando contida no desejo de me abortar
Hoje sou prostituta.

Beatriz Giomarelli


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