Desamano

Perguntaram-me:
"- O que é a solidão, menina rebelde, mulher de Eurípides?"
Deixe-me! No meu canto triste, cheio de textos infelizes. Este é o meu destino, é tudo o que sou: pó entre as folhas escritas...
Enterraram a face de Capitú, então desvendei a pobreza do amor humano... 
Digam-me, quantas pessoas carecem um olhar, um abraço, um sorriso ou palavras neste momento? 
Como é que não me acostumei com este silêncio intravenoso no intervalo do farejar instantâneo dos lobos? Como é que não percebi verdade íntegra e incontestável no gritar desesperado dos loucos?
Agora, persiste... O choro miúdo de preguiça, repouso ou desgosto do bocejar dos lobos.
Com as pernas cruzadas, sou princesa da estrada, eles se curvam diante de mim, permanecem com aqueles risos arrancados ou rabiscos de felicidade, de fome...
Temo que o telefone não toque e que eu vire extensão de meus lábios no mar, contando com um silêncio absurdo e aparentemente vital.
Aconselho-me a cada instante: "Acostume-se, neste universo paralelo, individual, ninguém se importará com este meu silêncio, ninguém manifestará resgates".


Beatriz Giomarelli

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