Ainda não.


Caiu no infinito
Sem dó, nem riso
Onde está a menina
Que por aqui, antes corria
Sorria, cantava, regia?
Mundo indolor
Mundo incolor...
E lá se vai a menina...
Evitei andar de costas
Mas, andando pude ver
Quem um dia me apontou!
"Cuspa na suja!
Que um dia lavou tua roupa suja"
Suje, sangre, morra e veja!
Insana, perdida dentro de si
Aprisionada não sei onde, nem por que
"Volte pra casa, amada..."
"Ingrata!"
Bata, use, arranque
"O meu orgulho que ainda é meu"
Da menina que um dia se perdeu
Um dia...
Lambeu a testa, girou o pescoço 360 graus
"Vem me pegar, otário!"
"Faz ruína, faz tua própria sina
Que eu seguro teu riso medíocre
Criança estúpida!"
Errada, segue seus passos
"Sinta o que eu sinto
Veja o que eu vejo"
Mil desejos adestrados
Braço, corte, indecente, calado
As curvas cheias de calos
Meta! Sem ouvir os gritos
"Covarde!"
"Pelo chão me arraste até se cansar
Me entregue à neblina
E deixe que os cães me cuidem
Obrigada!"
Menina interceptada, menstruada
Alma lacrada, invadida sem piedade
Grito sem som, suor pesado...
Conforte-se em meu enlace
Mais nada.

Bea'?
(junho/2011)

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