Cainites - Parte I -
Confissões de uma Mulher
"Passara horas e horas em um quarto de hospital, criando esperanças para que no final do dia eu estivesse ciente de minha eterna solidão. Enquanto caminhava pelo beco escuro e frio, meu coração pulsava forte dentro do peito:
O perigo não amedrontava meus anseios, simplesmente me fazia balbuciar lentamente um encantamento para a morte.
Apertei o passo, atropelando os ratos e a minha dor, a chuva molhava meu rosto pálido e instável.
Então, cheguei em meu destino, o lar vazio e triste sem o som do timbre grave que me recebia, sem o toque macio das mãos que tiravam o meu cansaço diário, sem o meu amado que despertava o sorriso ingénuo em meus lábios que no momento se curvavam.
Cansada, tirei meu casaco, jogando-o no braço do sofá e nele me joguei desajeitada, curvei-me para frente e desaguei, observando na mesinha central da sala o nosso retrato.
Como eu poderia modificar minha estória? Uma mente que antes mentia, hoje se vê realista e esnobe, e existe apenas uma coisa que me acalenta na noite... A escuridão".
(Cainites - Em busca da Eternidade, por Beatriz Giomarelli)
Continua...

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